A balsa ainda balançava de leve quando Marina avistou a casa no alto da ladeira, cercada de mangueiras. Cinco anos desde a última vez que estivera em Ilhabela — e cinco anos, também, desde que vira Rafael pela última vez, naquela mesma varanda, dizendo um "até logo" que os dois sabiam, no fundo, que não era verdade.
Ele abriu a porta antes mesmo de ela bater. Mais grisalho nas têmporas, o mesmo sorriso de lado.
— Achei que você não viria — disse ele, encostado no batente.
— Eu também achei — ela respondeu, e o silêncio que se seguiu disse mais do que qualquer frase poderia.
Jantaram pouco. Falaram menos ainda. O vinho esquentava nas taças enquanto o mar batia lá embaixo, um som que Marina sempre associara àquela casa, àquele verão que nunca tinha terminado direito dentro dela.
Foi Rafael quem se aproximou primeiro, afastando uma mecha de cabelo do rosto dela com um cuidado quase reverente.
— Cinco anos — ele murmurou, os dedos ainda perto do rosto dela.
— Cinco anos — ela repetiu, e dessa vez foi ela quem diminuiu a distância entre os dois.
O beijo começou devagar, como quem reaprende um caminho conhecido, e foi ganhando urgência conforme os corpos se lembravam um do outro. As mãos dele encontraram a cintura dela por cima do vestido leve; as dela subiram pelo peito dele, sentindo o coração acelerado sob os dedos.
Entraram para o quarto sem pressa, entre risos baixos e roupas que iam ficando pelo caminho — na maçaneta, na poltrona, no chão de madeira ainda morno do dia. A brisa do mar entrava pela janela aberta, levando o cheiro de sal e mangueira, enquanto os dois redescobriam, com as mãos e a boca, tudo o que o tempo não tinha apagado.
Rafael tomou seu tempo — no pescoço, na curva da cintura, sussurrando entre um beijo e outro coisas que ela tinha guardado na memória por anos sem admitir. Marina se deixou levar, corpo relaxando contra o lençol fresco, cada toque dele reacendendo uma lembrança e criando uma nova ao mesmo tempo.
Quando finalmente se uniram, foi como se os cinco anos separados tivessem sido só uma pausa — longa, mas apenas uma pausa. O ritmo entre os dois era antigo e novo ao mesmo tempo, urgente e paciente em partes iguais, até que a noite se dissolveu em ondas de prazer que ecoaram, baixinho, pela casa silenciosa.
Depois, deitados de frente um para o outro, com o barulho do mar preenchendo o silêncio entre as respirações que voltavam ao normal, foi Marina quem quebrou o silêncio, sorrindo no escuro:
— Dessa vez eu não vou embora tão cedo.
E, pela primeira vez em cinco anos, os dois acreditaram nisso.
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